domingo, 28 de fevereiro de 2016

Um dia de história

Viver a história é fascinante. 
Sentado à beira da janela, vendo as esculturas no jardim da casa dos bandeiristas, imaginei como seria a vida daqueles que ali moravam ou pousavam entre uma jornada e outra. A mata do entorno repleta de animais silvestres, alguns de impor medo, enche o ambiente com sons de aves e da água que corre no bosque próximo. 
Tentei imaginar algumas cenas cotidianas dos bandeirantes que desbravaram aquela paisagem em busca de ouro e de um caminho para o litoral. Na rusticidade da época, chegavam em lombos de burros e cavalos, envoltos em capas de couro e chapéus de aba larga. A criadagem cuidava de receber os visitantes exauridos pela jornada do dia enquanto outros acolhiam os animais e lhes afrouxavam as cargas. Já dentro da casa, trocavam conversas sobre a viagem, o tempo e o cotidiano no local. 
Imaginar estes cenários trouxeram uma sensação de nostalgia, como se tivesse vivido neste período da história, em que as noites eram iluminadas por estrelas e luz de candeeiro.
E foi assim que vivi um dia de história, ao pé do Pico do Itacolomi, em Ouro Preto, Minas Gerais.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

Fragmentos

um carro de boi, uma toada maneira. A vida no mais profundo rincão. entrar no brejo, no córrego pra nadar, andar sem pressa. fazer uma boa fogueira. Campear no pasto, atravessar a pinguela, ver a moenda do moinho e subir no pé de manga que fica lá no chiqueiro. Ver a água correr na bica, correr no terreiro onde seca o café, bater a vagem do feijão e tomar garapa no engenho. Pescar de peneira, armar arapuca, chupar cana caiana, correr da vaca brava. Pescar no açude, rodear no bananal, ver as moças do Bom Jardim na praça da matriz. Atravessar mata-burro, correr pela cava, fazer carrinho de espiga, debulhada no paiol. Gangorrar na porteira, roubar manga do boti, esconder no cupinzeiro, usar bodoque com mamona. Ouvir histórias de terror sob a luz da lamparina e ficar com medo de ir na casinha. Vigiar o forno de lenha que assa o biscoito, rosca e pão de queijo levantar às cinco e meia da manhã pra ir tomar leite na caneca tirado no curral. andar pela estrada de terra sem ter pressa de chegar. Sentar no carro de boi pra passear. Fazer guerra de tomate no fim da plantação. Tomar banho de bacia ou no chuveiro de serpentina, tomar café na beira do fogão a lenha. Pisar no formigueiro, soltar pipa, jogar bola, contar lorotas e rir. Sentar debaixo da árvore de óleo e ver o dia passar. Lembranças boas da infância. 

Sonhar e viver


Ao  findar da noite, quando o sono chega, visito minhas lembranças, em um mundo imaginário de sonhos envoltos na mistura de situações vividas com outras inimagináveis. 
Muitas vezes sonho que estou voando,sem ter auxílio de asas ou qualquer outra invenção humana que me levasse a tal feito. Gosto da sensação de estar sobrevoando por vales e cidades, de ver do alto paisagens diversas, sobretudo aquelas em que visualizo vales e cachoeiras por trás de montanhas imensas. É uma sensação de liberdade que transcende, que me leva a viajar para fora de mim, em um mundo vasto, onde disperso meus pensamentos e deles me sinto livre. Nesta inexplicável jornada visito lugares que nunca fui, invento outros que trago da mistura de lembranças e que me fazem sentir bem. 
Não sei como entro nesta viagem, ou qual situação me leva a este sonhar. O que sei é que quando me vejo em tal devaneio, sinto vontade de não mais tocar o chão, de querer flutuar sem rumo, ou de quando controlado, navegar pelos caminhos por onde passei, e que trouxeram uma rica e boa experiência em minha vida. Talvez por ser algo inesperado, estes sonhos me façam tão bem, pois as coisas rotineiras não me satisfazem. 
Minhas lembranças são tesouros bem guardados, delas faço meu reino, nelas construo castelos

Sentimento profuso.



Minh'alma pede para seguir, caminhar sem rumo, por o pé na estrada e simplesmente ir. Cansado do lugar comum e da vida rotineira, quero seguir em frente, desbravar o mundo, meu mundo. 
Sigo dividido entre a razão e a emoção, sendo o que eu mais quero é estar bem, viver bem, sem luxo e feliz comigo. Dentro deste devaneio posso fugir das agruras de um mundo sem sentido, de seres não mais humanos. 
Como é bom viajar, lançar-se por caminhos e seguir trilhando-os em busca de novas emoções e trazer na bagagem lembranças lugares não comuns, de paisagens exuberantes que trazem regozijo para a alma, ampliando a visão de mundo e que trazem um relaxamento para o corpo e a mente.

domingo, 25 de janeiro de 2015

DE VOLTA PRA CASA

Além da porteira cerrada havia um sonho distante, um pedaço de vida deixado pra trás, que voltou à memória a cada curva do caminho que levava ao torrão natal.
A alegria estampada em sorrisos largos e nos "causos" de infância os levavam de volta ao mundo das lembranças, das lágrimas e vida no campo.
Foi uma viagem recheada de histórias pra contar. De casos dignos de filme de faroeste, com garruchas, espingardas, cavalos e moças roubadas e outras pitorescas  semelhantes às épicas cenas de Mazzaropi, vividas  por crianças geniosas e atrevidas, que na rusticidade da vida, desdenhavam do perigo. 
O que me levou até lá, além do fato de uma promessa a ser cumprida, foi a minha sede de aventura, trilhar novos caminhos em estradas de terra batida, permeada de sulcos feitos por erosões. A cada porteira transposta, um novo cenário surgia, com paisagens dignas de postais, onde montanhas de pedras ganhavam um colorido azul acinzentado,quando banhadas pelos raios de sol. Do céu pequeno (Tarumirim) até a pedra escondida (Itanhomi) a estrada segue serpenteando serras, dobrando os montes do leste mineiro. A chegada em Itanhomi foi bastante comemorada pelos irmãos, que depois de quarenta anos retornam ao local de nascimento. A empolgação por rever velhos amigos e voltar ao terreno onde foram criados era evidente em seus gestos. Após uma breve parada na cidade, seguimos para o tão almejado destino, os distritos de Carneiro de Santa Luzia e Borges. Lá completamos nossa viagem, que realizou sonhos antigos e satisfação pessoal. 


































quinta-feira, 20 de junho de 2013

Minas orgulho nosso

Cenários mineiros
Paisagens bucólicas sempre me cativaram. Sinto nelas um certo encantamento, algo difícil de exprimir, que enchem meus olhos qundo as vejo.
Muitas são estas paisagens espalhadas pelos quatro cantos deste mundão de meu Deus. São paragens, sobrados, fazendas e recantos dignos de serem citadas em verso e prosa. Há quem diga que Minas são muitas e com toda certeza não está cometendo nenhum exagero.
Quem dera pudesse contar todos os contos, de todos os cantos de Minas por onde passei. De Sul a Norte, de Leste a Oeste, revelam-se culturas e culinárias dispares, porém unidas por um atributo que é o diferencial do mineiro: a hospitalidade.
Sim, somos desconfiados, mas sempre estamos com a cozinha, a melhor parte da casa, sempre aberta para oferecer um pão de queijo e um cafezinho aos visitantes.

Tenho orgulho de ser mineiro, de conhecer Minas e de poder mostrar para o mundo, as maravilhas do meu estado natal.
Passa Tempo - MG


Diário de Bordo - NAS LONJURAS DESTA TERRA

S empre que posso dedico parte do tempo das minhas viagens em conhecer vilarejos remotos, acessíveis somente por estradas vicinais pouco mo...