quinta-feira, 10 de novembro de 2016

CAUSOS DO SERTÃO MINEIRO

Dizem que lá pras bandas do norte, na barra do Pacuí, quando o Gorutuba encharcava a terra a caminho do São Francisco, o vale virava pântano,repleto de peixes, aves e até jacarés. Isto no tempo dos antigos, quando ainda havia força nas nuvens pra trazer chuva no sertão mineiro. Seu Quelé, homem da terra, descendente dos quilombolas remanescentes do vale do Gorutuba é quem conta as histórias, sentado em seu velho carro de boi, parado debaixo do umbuzeiro.
Seu Quelé contando histórias do Pacuí.
Hoje em dia é raridade de acontecer, por causa das barragens pra conter o rio lá em Janaúba, Pai Pedro e Gameleiras. O Pacuí já não corre livre no seu leito em busca do Gorutuba. Pontes que antes viam o passar de suas águas, atravessam somente um corredor de areia e pó. As aves migratórias ainda fazem pouso no vale, mas o jacaré já não existe mais.



"Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso..." (JOÃO GUIMARÃES ROSA, Grande Sertão: Veredas p.28)

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cachoeiras - Entre Rios de Minas e Região



No intuito de mapear algumas cachoeiras desde a região metropolitana de Belo Horizonte até a região das vertentes, parti em direção à Entre Rios de Minas para explorar cachoeiras. A longa estiagem diminuiu o volume das águas nas nascentes e riachos, o que implica em menor volume d'água nas cachoeiras.
Em Entre Rios de Minas, a cachoeira dos Faleiros, distante 8 Km do centro da cidade, sofre com a falta de chuvas, que deixou à mostra suas pedras lavradas pelo correr constante do riacho.

Cachoeira dos Faleiros
Caminhando sobre as pedras visualizei uma ruína de uma ponte, provavelmente destruída por alguma enchente ocorrida em tempos remotos. 
Voltei pra estrada vicinal e percorri mais 9 Km até chegar à cachoeira do Gordo. Os últimos 3 Km de estrada estão em mal estado de conservação, o que dificulta um pouco o acesso, porém se seguir com cuidado consegue-se chegar de carro até à cachoeira.
Cachoeira do Gordo - Entre Rios de Minas
O lugar é espaçoso, com área para camping e dois quiosques. Encontrei algumas sacolas de lixo deixados por frequentadores negligentes e o incinerei e enterrei logo em seguida. Com baixo nível da água na cachoeira, percorri entre as pedras e a corredeira turva do riacho até o ponto mais alto e de lá tirei algumas fotos do local. Fiquei imaginando o espetáculo que deve ser na época de chuva, quando o volume de água cobre todo o leito do riacho criando um belo cenário natural. Um grande ipê amarelo saúda os que chegam na cachoeira. Em tempo de florada, seu colorido destaca-se em meio a vegetação nativa. Após permanecer algumas horas no local, parti para o distrito de São Sebastião do Gil, no município vizinho de Desterro de Entre Rios, para explorar a cachoeira do Gil. O caminho, percorrido por asfalto e terra, tem cerca de 30 km, partindo de Entre Rios de Minas. A cachoeira fica próximo ao centro do distrito, cerca de 300 metros e de carro é possível chegar bem perto do paredão de pedra por onde corre as águas do riacho.
Cachoeira do Gil
A cachoeira possui duas quedas, a primeira possui um paredão de aproximadamente 5 metros, seguida de outra bem mais alta,que pode ser vista descendo uns 100 metros pela mata local e passando pelo escoador. um bom local para praticantes de rapel de cachoeira. A região tem muitas outras quedas d'água, corredeiras e cachoeiras espalhadas e pouco exploradas por turistas e que podem ser visitadas (vide Roteiro das cachoeiras). Até a próxima!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em Furnas, em Fama.

Em Minas Gerais as melhores coisas, que agradam aos olhos, quase sempre estão escondidas aos olhos desatentos dos seres urbanos. Pra quem gosta de simplicidade mas não abre mão da cordialidade e das belezas culturais, históricas e naturais deste Estado, fica admirado ao encontrar lugares que proporcionam o desfrute de belas paisagens, aliadas à boa hospitalidade.
Passeando pelo sul de Minas, cismei em visitar a cidade de Fama, localizada à beira do lago de Furnas, entre as cidades de Alfenas e Paraguaçu.
Sem muitas pretensões, com a intenção de somente tirar algumas fotos, uma vez que não conhecia a cidade, parti Alfenas em direção à Varginha, segui por 8 Km até o trevo de acesso ao município, onde dirigi por mais 11 km até chegar. 
Logo na entrada da cidade, deparei com alguns arcos decorados com arranjos de flores, por sinal muito bem cuidados. A pequena cidade não possui muitos atrativos arquitetônicos, a não ser o casario mais antigo próximo ao parque municipal. O maior atrativo e que encanta os olhos do visitante  é a beleza do lago de furnas e o clima tranquilo da cidade. Foi uma tarde prazeirosa sentado na escadaria da igreja observando o entardecer. Fiquei observando as aves empoleiradas, que fitavam as águas à procura de uma refeição e os banhistas que refrescavam-se do calor do dia. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CAMINHO NOVO

Caminhos da Estrada Real
Em cada caminho, uma história pra contar, uma vida por viver, um constante movimento. Passar por momentos de pura transformação, regados por vistas deslumbrantes deste Estado chamado Minas Gerais.
A região da estrada real nos proporciona momentos de paz, de vivenciar a história, de relaxar. Vários caminhos, várias culturas, vários sabores. Do saboroso pão de queijo, à goiabada com queijo, o café no bule, o leite "ao pé da vaca". O aroma do biscoito assado, ainda quente no tabuleiro que acabou de sair do forno. Pratos típicos como o tropeiro e o tutu, servidos no fogão à lenha, acompanhados de uma deliciosa pururuca ou carne de panela, podem degustados no circuito histórico de Minas.
A paisagem montanhosa favorece o surgimento de cachoeiras, cascatas e corredeiras que seguem as curvilíneas margens de córregos e ribeirões. Algumas escondidas em locais de difícil acesso, outras com acesso e infraestrutura, próximas à estradas vicinais que cortam a região. 
Com tudo isso na mente e de malas prontas com destino a Paraty, partimos, seguindo um roteiro de dois dias, seguindo por asfalto e estradas de terra, o caminho novo. Nas estradas vicinais nos deparamos com Carros de boi, em sua toada rangida, guiada pelo candieiro. Na trilha dos bandeirantes, partimos da região metropolitana de Belo Horizonte, seguindo pela rodovia Fernão Dias até a cidade de Oliveira. Neste ponto, deixamos a BR 381 e seguimos pela BR 494 em direção a Tiradentes,onde conseguimos o passaporte da ER. Partimos pra Prados, Dores de Campos, Barbacena, Ibertioga, Santana do Garambéu, Piedade do Rio Grande, Madre de Deus de Minas, Liberdade, até chegar em Bocaina de Minas, onde pernoitamos. Na manhã seguinte atravessamos a "fronteira" do Estado e chegamos em Resende no Rio de Janeiro. De lá seguimos em direção a Guaratinguetá e Cunha, no estado de São Paulo. Entramos novamente no estado fluminense, descendo a serra em direção a Paraty. 
Praia de São Gonçalinho
No litoral visitamos os distritos de Paraty Mirim e Trindade, passemos nas praias de São Gonçalinho, praia grande, praia do meio e Jabaquara. Na calmaria das praias fizemos boas caminhadas e mergulhos em águas claras e repletas de pequenos peixes. 
Após 3 dias de praias e noites bucólicas na histórica Paraty voltamos pra estrada onde visitamos Ubatuba, e de lá subimos a serra em direção a Minas, passando por São Luís do Paraitinga, Lagoinha, Guaratinguetá, Lorena e Cruzeiro onde atravessamos novamente a fronteira e Voltamos pro Estado natal. 
Estação de Trem - São Lourenço
No caminho da volta, carimbamos os passaportes em Passa Quatro, Itanhandu, Pouso Alto, São Lourenço, Caxambu e Baependi. Passamos em Cruzília, Minduri e pousamos em Andrelândia. Na manhã seguinte visitamos Bom Jardim de Minas, grata surpresa da viagem, por seus casarios antigos bem preservados. Voltamos pra Andrelândia, assistimos a encenação da paixão de Cristo e fizemos uma parada em São vicente de Minas pra degustação de queijos. Com a intenção de obter mais alguns carimbos no passaporte, seguimos pra São João Del Rei,Lagoa Dourada e Entre Rios de Minas e, quando a noite caiu, voltamos pra casa com 14 carimbos da Estrada Real e muitas lembranças de nossas andanças.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Roteiros da ER

Quando decidimos o que fazer nas férias, pensamos em várias possibilidades de viagens. Montanhas, cachoeiras, praias, algum lugar mais afastado das grandes cidades, a fim de procurar o merecido descanso.
Feitas as malas, partimos rumo à aventura. Optamos por conhecer o trecho final da região da Estrada Real, mais precisamente o caminho velho, em direção à Paraty no estado do Rio de Janeiro.
Começamos pela histórica Tiradentes, onde pegamos nosso passaporte da ER. Em nosso trajeto até o litoral passamos por Vilarejos, povoados, estradas vicinais e BR's. Depois de tomar um café com pão de queijo, fomos à cachoeira do marco zero, em Santa Cruz de Minas e depois seguimos para o distrito de Bichinho, onde seguimos a ER até Prados. O caminho de terra nos vislumbra com paisagens fantásticas e alguns casarões seculares.
de Prados tomamos rumo a Dores de Campos, distante 8km, com a intenção de passar em Barroso e depois seguir para Barbacena onde visitaríamos o museu da loucura. Infelizmente ao chegarmos lá descobrimos que ele estava fechado para reformas. Partimos em direção a nossa primeira pousada, na cidade de Bocaina de Minas. Passamos por Ibertioga, demos carona a um policial militar até Santana do Garambéu, voltamos até Piedade do Rio Grande e já à noite, paramos em Madre de Deus de Minas para fotografar, o que também fizemos em São Vicente de Minas e Liberdade, para finalmente chegar na Pousada Caminho de Minas, em Bocaina. Até aí já haviam sido rodados 571 Km, numa jornada de 10 horas e dezenas de locais fotografados.

MAPA FOTOGRÁFICO

segunda-feira, 28 de março de 2016

No caminho cachoeiras...muitas cachoeiras...





Sempre que o pó do asfalto cobre os poros, procuro um local para lavar a alma e repor minhas energias. Dentre os muitos caminhos que trilhei, sempre há um que me faz voltar, como se fosse meu cantinho dileto, sempre pronto a me acolher. Sinto-me em casa, fazendo um roteiro cercado de belas paisagens, riachos, pássaros e estradas de chão batido, localizado na região das vertentes, entre os municípios de Carmópolis de Minas, Oliveira e Passa Tempo, no centro-oeste mineiro.

Cercada de mistérios e histórias fantásticas, esta área está repleta de cachoeiras, algumas de fácil acesso, outras que exigem do caminhante um pouco de esforço para encontrá-las.
O roteiro começa pela cachoeira da velha usina em Passa tempo, situada na estrada que liga o município ao Distrito de Jacarandira. Esta cachoeira fica do lado esquerdo da estrada, no sentido da sede do município ao distrito de Tombadouro

Continuando o trajeto em direção ao Distrito de Morro do Ferro, no município vizinho de Oliveira,encontramos outras duas cachoeiras já próximo à divisa. A primeira na velha usina de energia elétrica, corre entre pedras e encontra com as águas da segunda, que no tempo das chuvas pode ser vista da estrada. Esta vem sofrendo com a ação contínua de atividades de mineração na região, e corre o risco de desaparecer. 

No povoado do tombadouro, encontra-se outra cachoeira acessível. Suas águas correm abaixo da estrada vicinal. Uma parede rochosa revela um passado avassalador de um ribeirão, que com o passar do tempo tornou-se um córrego, porém quando recebe um bom volume de chuva, mostra sua força natural.
Dentro deste emaranhado de serras, podemos contemplar belas paisagens e as marcas do passado em muros de pedra dos tempos coloniais.

Localizada no circuito turístico das vertentes, faz parte também da região da Estrada real. Para o amantes das trilhas, por suas estradas pode-se chegar na Histórica São João Del Rei sem precisar ir por asfalto. É um bom roteiro pra quem já se cansou dos mesmos caminhos, numa região de clima agradável e farta cultura, festas típicas e a deliciosa culinária mineira.





domingo, 28 de fevereiro de 2016

Um dia de história

Viver a história é fascinante. 
Sentado à beira da janela, vendo as esculturas no jardim da casa dos bandeiristas, imaginei como seria a vida daqueles que ali moravam ou pousavam entre uma jornada e outra. A mata do entorno repleta de animais silvestres, alguns de impor medo, enche o ambiente com sons de aves e da água que corre no bosque próximo. 
Tentei imaginar algumas cenas cotidianas dos bandeirantes que desbravaram aquela paisagem em busca de ouro e de um caminho para o litoral. Na rusticidade da época, chegavam em lombos de burros e cavalos, envoltos em capas de couro e chapéus de aba larga. A criadagem cuidava de receber os visitantes exauridos pela jornada do dia enquanto outros acolhiam os animais e lhes afrouxavam as cargas. Já dentro da casa, trocavam conversas sobre a viagem, o tempo e o cotidiano no local. 
Imaginar estes cenários trouxeram uma sensação de nostalgia, como se tivesse vivido neste período da história, em que as noites eram iluminadas por estrelas e luz de candeeiro.
E foi assim que vivi um dia de história, ao pé do Pico do Itacolomi, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Diário de Bordo - NAS LONJURAS DESTA TERRA

S empre que posso dedico parte do tempo das minhas viagens em conhecer vilarejos remotos, acessíveis somente por estradas vicinais pouco mo...